Nunca é tarde

“Cheguei aos 35 anos com um portátil, uma máquina fotográfica, uma Sachs encostada na garagem de um amigo, zero filhos e uma conta subnutrida no banco. Tenho o património limitado às fronteiras do couro cabeludo.”

Não foi preciso ler mais e dei por mim na fila da FNAC a comprar mais um livro para a minha interminável lista de espera – “livros para ler”. Prometi a mim mesma que só voltava a comprar livros quando terminasse de ler todos os que tinha na mesinha de cabeceira mas, por vezes, disciplina não é o meu nome do meio!

Se bem se lembram, recentemente, dei as boas vindas a uma nova rubrica destinada a partilhar as minhas aventuras literárias e Nunca é tarde foi o escolhido para dar o pontapé de saída. Escrito por Carlos Carneiro (filho) este livro reúne as crónicas da viagem de pai e filho à volta de África numa velhinha Renaul 4L. O título, em jeito de slogan motivacional, não poderia ser melhor para descrever os 40 000 km percorridos entre 27 países e o reencontro entre o pai, engenheiro reformado de 70 anos que nunca acampou, e o filho, viajante profissional de 35 anos que nunca assentou.

Não tivesse eu as minhas rotinas diárias para cumprir, entre as quais trabalhar, e aposto que não demoraria mais do que um dia a ler “Nunca é tarde”. E se já sentia um fascínio por África, fiquei com mais vontade de explorar este continente que é tão rico pela diversidade de sensações, doenças, burocracias, corrupção e gentes tão diferentes.

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Ainda não tinha lido nenhum livro do género talvez porque, à boa maneira portuguesa, pensasse que viajar não é profissão, muito menos escrever livros de fazer inveja a quem não sai do sítio, ou simplesmente porque não tinha despertado em mim o merecido interesse. No entanto, considero que é preciso ter muita coragem para abandonar a zona de conforto, abdicar da vida que é considera como certa – ter um emprego, casar, ter filhos, comprar casa e carro – e partir à aventura a coleccionar histórias por esse mundo fora.